Ah, se você soubesse o quanto eu chorei, o quanto me culpei. Se você soubesse pelo menos metade de tudo o que eu sinto por você, ou sentia, de tudo o que está entalado aqui na minha garganta, no meu coração. Tudo mesmo, você choraria. Talvez se soubesse do que se passa em meu coração, em minhas lágrimas, você voltaria correndo e se arrependeria de ter ido embora novamente. Mas você não sabe - nunca soube e nem irá saber. Não irei te contar, se quer assim, ficará assim. Sofrendo. Isso imediatamente me torna cada vez mais frio, é sufocante, doloroso e chega a arder aqui dentro … até a rasgar-me. Mas você não sabe, não tem noção do tamanho do meu amor. Ah, se você soubesse do quanto tentei me enganar, nem enganar, mas aguentar, disfarçar, deixar pra lá. Mas não consegui, aqui estou mais uma vez assumindo minha fraqueza diante de ti, assumindo não que não sei viver sem você; Isso eu sei. Mas assumindo que dói viver sem você. Eu nunca fui a melhor pessoas em palavras completas. Sempre fui essa pessoa meio incompleta que não sabe direito o quer ou o que sente. Mas, um dia me perguntaram o que era amor, e não veio aquela frase clichê de teu nome. Vieram-me todos os momentos, todos os dias, todas as horas, todos os minutos que estivemos juntos. Aquilo talvez tenha passado tão natural, tão desapercebido que nem demos valor. Mas pensa daí, uma duas, três vezes se for preciso. Aquilo te fez bem, não é mesmo? Aquela sensação de estarmos juntos, sabendo que nunca iriamos abrir mão um do outro. Olha só, a palavra nunca assumindo ambiguidade entre nós. Talvez o que nunca seria desfeito, hoje nunca mais será refeito. Mas estou aqui, não sei o que deu em mim. Logo eu que sempre fui esse poço de orgulho, essa imbrequidão de sentimentos. Estou aqui lamentando pelo que foi tornado em destroços assim tão imperceptível a nós mesmos. Lembra? Lembra de quando não conseguíamos passar meros minutos sem nos falarmos? E olha só agora… Um segurando o lado oposto, pra não ter que encarar um ao outro e assumir que sente falta. Você me conhece bem, eu nunca fui de correr atrás, nunca fui de ajoelhar-me diante de quaisquer situação. Mas olha… Estou aqui, querendo mostrar-te o quanto é desgastante entalar-me com esses sentimentos e saber que hoje eles são inválidos. Mas estou em uma luta imensurável com minha alma, ela quer rasgar a carne, atravessar e ir ao teu contro. Te segurar com todas as forças e nunca mais te largar. Mas meu corpo não consegue mover-se um centímetro para fazer do mesmo. Talvez por querer ver-lhe fazendo o mesmo e continuar vendo o inerte entre dois corpos que ocupam o mesmo coração e não fazem de nada pra se encontrar. Mas eu ao menos estou admitindo minha fraqueza, estou admitindo minhas lágrimas, e não sabe quantas barreiras energumenáveis eu quebrei pra admitir tais coisas.
Mas se prefere que fiquemos assim, que assim seja. Só saiba que eu tentei juntar-me ao teu sofrimentos, juntar-me às suas fraquezas e caminharmos juntos novamente, como um dia fomos, tão completos. Se for pra ser realmente assim, que assim seja. Mas arderá, não só daqui, mas daí também, e como ácido corroerá o coração um do outro, e quem sabe um dia não restará mais nada do “nós” que um dia houve, e acredite, isso será mais lamentável ainda. Depois de tantas promessas, terminarmos no silêncio.
Lucas Guerrero, Pensamentos Iludidos / Warllyssong Sena, Meus Devaneios.